domingo, 13 de janeiro de 2013

Vale de sonhos*

Em seu vale - As flores me chamam!
Em seu vale - As flores tão mortas...

Sonhei que sonhava em teu mundo,
sonhei que nele sonha extasiado!

E entre brumas, teu riso dominava,
era o que dominava nas nuvens tristes
do eterno infinito gelado.

Em seu peito, nada havia morrido.
Em seu mundo, somente nós éramos vida.

Sonhei que sonhava em seu mundo,
sonhei que sonhava num lindo sonho,
vale dos sonhos, morto, vivo e definido.

E entre as faces do paraíso
o seu rosto era o único que me olhava,
com os olhos lacrimosos, mas, com um traço
fino e lindo - O seu sorriso.

Em seu vale - As flores me chamam...
E por ele eu corria, límpido e sóbrio.
Em seu vale - Eu me deitava entre as mais belas
flores mortas, rosas mortas...

Sonhei deitado entre as flores,
no seu peito nada havia morrido,
somente nós éramos a vida...
E seu sorriso nas face do paraíso
lindo me sorria, me olhando me devorava!

Guilherme de Carmo 02/12/2006

*Vales dos sonhos: É a substituição do verdadeiro nome do poema que simplesmente se chamava Alan,
retratando-se de um antigo amor - Alan P. S. Martins. Mas, que no entanto não merece mais esse título tanto quanto não merece mais algum sentimento meu, nem mesmo aquilo que chamamos de pena, uma vez que isso é passado e o passado foi cheio de traumas e dores. Há porém um respeito mútuo do qual se entende por compreensão.
                                                                                                Guilherme de Carmo 13/01/2013

Espectro

Noite.

Como todas, estou acordado,
tão vivo e morto como um espectro...

Observo mais uma vez
a palidez da lua pálida
e estou á pensar:
Sonhos...
Verdadeiros esconderijos de mistérios,
tão secretos...

Em um gesto, em um olhar,
eu me envolvo com a lua,
ah, o seu brilho e sua palidez,
parece uma dose extra de um forte alucinógeno,
através de um olhar...
E olho, observo, me envolvo,
tão morto e vivo como um espectro.

O frio ao redor, o silêncio.
O escuro - Tudo excita!
O cheiro do sangue que se aproxima,
meu coração palpita,
tão vivo e morto como o de um
Espectro!

Guilherme de Carmo 08/11/2006