quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sucumbindo

Vagas vozes vem em avisando,
vem me avisando vagas vozes que
gorjeiam sobre a noite.

Velas vagas iluminam meu vasto quarto,
velas vagas revelam vultos
no meu quarto vasto.

Volúpia de vampiros mortais
que devoram a minha imaginação
e mortos os vampiros atacam,
como vultos vampiros atacam
e me me entregam a volúpia vazia e mortal.

Guilherme de Carmo 03/04/2006

Alma tácita

Olhos fatigados e mente solitária,
somente os mortos podem me entender,
fui novamente vítima da "razão"
e fui preenchido de sal
como se fosse eternamente.

Meu coração sangra,
meu corpo pede,
assombrosamente pede e clama.
Então capture-me,
carregue-me e desfaça-me,
ó, sonhos funestos,
ó, morte gloriosa,
lateje-me para o inconsciente.

Olhos lastimáveis e vermelhos
e mente solitária,
as mãos cobertas por frio,
eu perdendo para mim mesmo
em meu centro.
Cubra-me, proteja-me,
capture-me, ó, morte graciosa!
Entorpeça a minha alma
que já pálida pela angústia
chora num silêncio doloroso!

Guilherme de Carmo 16/03/2005

Perdido

As mais belas pessoas
que ontem eu tinha - Desapareceram.
As flores mais lindas
que em meus quintal havia - Morreram.
Todos os amores que tive
na vida - Sumiram.
E aonde está Deus?
Escondeu-se!

As mais belas paisagens
que eu via - Escureceram-se.
Nos mais belos castelos
onde eu vivia - Desmoronaram-se.
Nas noites mais calorosas
que eu caminhava - Esfriaram-se.
E  onde é que está eu?
Brincando de ser Deus?

Eu não pude me ver,
não quis me enxergar,
agora me sinto perdido!

Guilherme de Carmo 12/03/2006 - Para: Jéssica Rocha da Silva.

Bizarro amor

Eu como o teu corpo,
eu devoro a tua alma,
eu beijo o teu sangue,
eu bebo a tua carne,
eu pego a tua sombra,
eu me escondo em teu sentimento.

Eu me deito e vejo você,
cadavérico á me desejar,
eu pego tuas mãos, eu esquento você,
eu seguro tuas mãos,
mas elas não querem me soltar
e sua faca entretendo em meus laços,
não consegue me largar?

Você se esconde
e pega a minha sombra,
você come da minha carne
e desespera-se em meu sangue,
você devora o meu corpo e arrasta a minha alma á me matar...
E eu? Eu fico á te desejar,
bizarro amor, bizarro amor.

Guilherme de Carmo 08/03/2006

Em você

Eu entro em você...
Eu nunca estive tão sóbrio
para ver a vida que há na morte,
o sentido que há nos pálidos...

Eu estou entrando em você...
Vou mexendo e circulando...
Eu posso me mover em você...
Eu estou girando em seu interior...

Você apenas pode sussurrar,
apenas pode sussurrar...
Eu me movo devagar, apenas sussurrando,
alma quente vibrando aos meus olhos,
eu vou me revirando...

Eu estou entrando em você...
O sentido que há nos pálidos...
Vou mexendo e circulando...
Eu posso me mover em você...
Estou girando em seu interior...
você apenas pode sussurrar,
apenas pode sussurrar...

Guilherme de Carmo 22/02/2005

Victor

Em meus olhos;
não vejo mais a tua cor.
Em meus lábios;
não tenho mais a cor dos beijos teus.
Em meu peito;
eu só tenho a dor do teu desespero.

Nos meus sonhos,
eu tenho a tua imagem de vidro,
em meus pensamentos,
eu temo você como amor.

Eu não tenho mais nada
á não ser a tua lembrança,
eu não sinto nada
á não ser a sua falta,
eu não tenho nada
porque estou te amando...

Em teus olhos;
eu vejo o paraíso.
Em teus lábios;
eu vejo a cura para a vida.
Em teu peito;
eu vejo tudo parado!

Guilherme de Carmo 07/01/2005. Sexta-feira.

Anjo de gelo

Eu vou escupi-lo em meu quintal
assim que o inverno chegar,
eu vou amar a sua imagem de gelo,
trará vida para mim e ao meu jardim.

Eu vou amá-lo como ninguém nunca o-amou,
eu vou quebrá-lo se alguém tentar lhe pegar,
e escupi-lo novamente,
eu vou amá-lo como ninguém nunca o-amou.

Eu vou escupir,
cada detalhe mínimo seu,
colocarei suas lágrimas  e seu olhar triste
e até seu "gélido" coração.

Vou lhe abraçar tão forte até me queimar,
eu vou lhe derreter de tão quente que é o meu amor,
eu vou amá-lo, como ninguém nunca o-amou!

Guilherme de Carmo 19/11/2005 - Sábado.

A CASCAVEL

Chaqualhávas a calda de vossa natureza
e rondavas-me á desesperar-me,
ó, cascavel de inócua* malvadeza.

Agias em legítima defesa,
pois eu, o homem cruel,
invadiras o vosso espaço,
também á procura de defesa.

O cemitério - Onde nos encontramos.

Vosso guizo horrendo*,
fazendo-me desesperar,
ah, aquele medo...
E gozavas comigo,
você - Prestes á me atacar!
Eu - Ansiando pelo teu veneno!
Ansiando pela tua fuga seguinte,
abandonando-me enquanto
adormecendo eu ia, sangrando!

Guilherme de Carmo 15/05/2006

*Inócua/Inócuo - Inofensivo, inocente.
*Horrendo - Horror, que causa tal.

Um amor desconhecido

Dali veio e
desapareceu sem deixar
mancha alguma.

No peito ainda ferve, clama!
A dor que nunca existiu;
um amor desconhecido,
dali veio e dali partiu!

Guilherme de Carmo 07/05/2006


domingo, 2 de dezembro de 2012

Violetas

Violetas vivas, vivas violetas volupiosas,
em vigas vigiando meu vazio labirinto...

Violetas azuis, violetas vivas.
Violetas vilãs, violetas violentas.
Vedetes violetas víboras, venenosas,
eu que as-amo tanto...
Violetas vivas, violetas azuis...

Véu em meu velho rosto,
violetas em volta do meu corpo,
véu em meu velho rosto,
violetas vivas velam meu corpo morto.

E comigo morrerão, sepulcradas!

Guilherme de Carmo 07/11/2006

Olhos desenhados

Sombras e luzes se misturam no mistério da noite
e nas ruas a serenidade é o que venera,
eu ouço passos quietos, mas,
nada que me assuste.

De repente, no meio das sombras
eis que surge ele,
com seus olhos contornados,
olhos desenhados,
parece que vão me devorar,
com amor, me devorar.

Luzes na noite escurecem a minha visão,
mas, vejo claramente os olhos dele, apenas,
olhos contornados, olhos desenhados.

Como eu gostaria de devorá-los esta noite,
como eu gostaria, esta noite...

Guilherme de Carmo 31/12/2005

Dedicado com amor á Robert Smith (Vocal' The Cure)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Smith

Amor que separa

Eu eu acho que caímos profundo demais,
agora eu ouço aquela antiga canção que dizia que o amor,
sim, o amor iria nos separar.

Me lembro que quando mandávamos ver na garrafa,
rindo de qualquer perda ou palhaçada
e a canção soava que o amor iria nos separar
sim, o amor nos separou...

E quando eu tinha esta visão de agora,
era meu medo, meu tormento.
Devastado eu me mantinha ao teu lado,
estragado, você se mantinha ao meu.
Mas, veja, o amor nos separou!
Sim, o amor nos separou....

E esta é a dor na minha cabeça agora,
sonâmbulos, nós nos mantemos separados
e não temos para onde fugir,
o amor nos separou,
o amor nos separou,
sim, ele nos separou...

Ó, não siga para onde
meu coração não pode te seguir.

Guilherme de Carmo 24/06/2007 - Dedicado ao amigo Raimundo Nonato Coelho Viana Júnior
Poesia inspirada na música Love Will Tear us Apart da banda Joy Division https://www.youtube.com/watch?v=qHYOXyy1ToI  e inspirada também em todos os momentos bons e nos momentos de abuso. Eu amo você !!

Vivo e quente

Eu sei o que aconteceu,
a mentira corre junto em dois corpos;
ainda não é um triste fim,
foi somente o principal da história que morreu,
o desejo está vivo e quente,
porém guardado entre o nosso orgulho e através.

você se lembra de mim como o corte em seu joelho,
você se lembra de mim como uma queda.
Mas lá no fundo eu sei, você quer me resgatar.

Eu sei o que acontece,
os olhos nossos olham para a mesma direção,
com sede de saborear a carne um do outro,
mas, a mentira, sim, a mentira corre junto
ao orgulhos nos corpos nossos
e o principal da história falece,
porém o desejo continua vivo, vivo e quente.

E eu me lembro de você,
com as asas em minhas costas,
prontas para me assegurar,
prontas para me proteger,
prontas para me libertar,
eu me lembro de você
como um anjo superior e de força máxima,
erguido e esbelto...

E nem lágrimas salvam,
nem lágrimas nos salvará.
Voc^se lembra de mim como uma queda e assim então eu vou caindo,
caindo pela mentira,
caindo pelo orgulho,
caindo pela distância entre nós.

E o principal da história morreu,
porém o desejo prevalece intacto,
vivo e quente, quente e vivo!

Guilherme de Carmo 16/08 e 20/08/2007.

Para: A.P.S.M

Platonismo

Com a boca entupida de sarcasmo
novamente ele vem para o meu lado,
alcança o meu ego e o destroi com palavras fatalmente margas.

Estilhaços do meu orgulho estão espalhados pelo chão,
nas sombras eu fico colhendo de pouco em pouco
eu mesmo, tentando me refazer.

Nas paredes e nas janelas
ficaram a lembrança de cada maldito riso que ele deixou
e isso novamente me atinge, me devasta...

buracos em mim é tudo o que me resta
e ele nem ao menos espera cicatrizar,
logo vejo seus olhos flamejantes de maldade
brilhando na intensidade e vontade de novamente me atacar.

Mas antes que o meu coração se despedace em cacos,
eu vou embora com ele nas mãos,
protegido para não mais se machucar...

...mas já é noite e é tarde demais para escapar,
com o último ponto de força que me resta,
vou rastejando pelo caminho,
encontro uma foça - Almejo estar lá!
olho para trás e vejo o tamanho da linha,
vermelho púrpura que deixei se formar até ali
e me despeço lambuzando-me
em amor no meu sangue vinho,
fui atingido pela última vez e encontro enfim o meu fim.

Guilherme de Carmo 29/07/2007


Boêmia alegria covarde

Coração tosco, coração frouxo,
sem esperança bate pouco
e de pouco e pouco bate de tristeza,
bate fúnebre e roxo.

Por onde anda minh'alegria?
Boêmia alegria, tão rara em meu coração,
por onde andas?

Alegria boêmia, alegria covarde,
antes rara, agora inexistente em meu coração.
Alegria boêmia - Fajuta!
Por onde andas alegria covarde?
Porque de vez me deixastes?

Gostas e gotas de tédio caem
e caem sobre mim.
Alegria boêmia, covarde,
o que fizestes de mim?

Alegria que não progrediu,
boêmia e covarde - Sumiu!
Ó pobre coração solitário,
desventurado e frouxo!
Ó pobre coração, de pouco em pouco
bate fúnebre e roxo!

Guilherme de Carmo - 26/09/2006


Flor do diabo ( A Deusa da traição)

Sei que não sou capaz de perdoar assim,
a mágoa corre em minha alma e me corroi
e o frio dessa noite anseia em me matar,
sinto desejo em me matar...

O passado é ridículo, mas, sei que não sou capaz,
capaz de perdoar tão fácil assim.
Eu  despenquei de bam alto e caí aos solos,
aos prantos e sorrisos do diabo, minha flor do Diabo,
foi você quem me colocou aqui.

Veja o meu sangue,
é tão vermelho e venenoso,
tão podre e valioso, você sujou a minha alma,
manchou o meu sangue e eu sei que não capaz
de perdoar-te assim tão fácil,
e eu tenho vontade de matar o que é você...

Flor do Diabo, de pétalas negras,
quero quebrar o teu semblante, a tua imagem,
comer as tuas vísceras, ó Deus da traição!

Você esbanja mel, doce Flor do Diabo, você esbanja mel.
E é este o seu tão poderoso veneno, ó Deusa da traição!

O passado é ridículo,
mas sei que não sou capaz de lhe perdoar tão fácil assim.

E eu me despenquei de tão alto,
caí aos solos, aos sorrisos e prantos do Diabo,
Ó minha Flor do Diabo,
foi você quem me trouxe aqui..

Agora veja, amiga dos dentes podres,
veja a eterna mágoa minha,
Deusa da traição, eu sei que não sou capaz de perdoá-la mais!

Guilherme de Carmo 22/09/2006 - Dedicado á Annély Caldeira de Freitas na data de seu aniversário.

Nota: O poema Flor do Diabo ( A Deusa da traição) foi inspirado no poema Flor do diabo de João da Cruz e Sousa http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3359711 . Flor do Diabo significa o que parece ser mas, não é, ou seja, Flor no sentido de beleza, mas, do diabo - Tome cuidado! Mais ou menos por aí... Quero reforçar também que Annély existe e me foi uma grande amiga no passado, alguém no qual dediquei em ouvir e ajudar e que me pagou com desprezo e não quis me ouvir quando tinha muito á dizer no fim ou me explicar sei lá, reforço ainda mais que sim, em 2006 ainda, três anos depois de nossa separação havia sim muita mágoa de minha parte, justamente por ela não ter me dado uma chance e ter querido ouvir a verdade da minha parte, hoje em dia estou maduro o suficiente para entender o quanto complexada você era na época e transtornada, mas, que no fundo não era de todo uma pessoa má, solitária e vazia talvez, mas, não má. Na hora da mágoa acreditamos que ela seja mesmo eterna, porque a traição e o abandono DÓI, mas, quero deixar aqui registrado que por mais que eu deva ter cuidado, eu me lembro muito mais das coisas boas que vivemos do que a mágoa que me causastes por fim, sendo assim aniquilei a mágoa de meu coração de vez pois te amei com intensidade real e confiei com abundância e isso é tão valioso que não tem preço sólido e por mais que essa amizade não volte, desejo que siga em paz sua vida, que Jesus lhe ampare e te acompanhe todos os dias da sua vida! Com o coração cheio, seu eterno amigo secreto: Guilherme de Carmo 02/12/12 - Domingo.

*O poema só se tornou poema agora, pois antes era desabafo e pura dor, hoje virou arte da literatura, nada na vida é por acaso!

Amores póstumos (Desilusão)

Noite turva,
escoro-me neste silêncio total,
ao gozo dos sonhos eu me deliro,
sangrando como um inocente vampiro,
questionando a mim mesmo sobre o amor,
aonde e como está?
E os amores póstumos, aonde os-escondem? Na luz?
Então não posso ver...

Tudo sóbrio, meus lábios permanecem secos,
secos em uma noite molhada,
o silêncio agora me esconde por alguns minutos,
dando alas para a chuva passar e passa,
passa molhando meus lençois, molhando meu corpo
e daquele carro la fora os farois...

Essa noite não me é estranha,
a única diferença é que eu estou só,
somente eu e minha solidão.
Foi em uma noite como essa que vivi
meu primeiro e soturno amor
e na manhã seguinte acordei-me só, despido pelo chão.


Será que ainda poderei viver uma noite como essa?
De puro e despido intenso amor?
Escondo eu - Arquejado!

Ah, nem sei mais quantas noites dessas de amor eu vivi,
agora veja, estou eu aqui sozinho - morri!
Para o amor eu morri!
Perdi todo o direito de amar,
perdi todo o direito de ser amado...

Eu me sinto humilhado, por mim mesmo humilhado!
Ó, o que será que eu fiz? Cálida luz magenta, o que será que eu fiz?
Que descrença, que desilusão total...
Eu me perdi, não quis sentir quando eu pude sentir,
agora não posso e nem sei se quero poder, eu mesmo me perdi, sozinho nessa,
e impotente eu me sinto - Não posso tentar novamente...

Guilherme de Carmo - 21/09/2006

Ao som de Sam Cooke...