Com a boca entupida de sarcasmo
novamente ele vem para o meu lado,
alcança o meu ego e o destroi com palavras fatalmente margas.
Estilhaços do meu orgulho estão espalhados pelo chão,
nas sombras eu fico colhendo de pouco em pouco
eu mesmo, tentando me refazer.
Nas paredes e nas janelas
ficaram a lembrança de cada maldito riso que ele deixou
e isso novamente me atinge, me devasta...
buracos em mim é tudo o que me resta
e ele nem ao menos espera cicatrizar,
logo vejo seus olhos flamejantes de maldade
brilhando na intensidade e vontade de novamente me atacar.
Mas antes que o meu coração se despedace em cacos,
eu vou embora com ele nas mãos,
protegido para não mais se machucar...
...mas já é noite e é tarde demais para escapar,
com o último ponto de força que me resta,
vou rastejando pelo caminho,
encontro uma foça - Almejo estar lá!
olho para trás e vejo o tamanho da linha,
vermelho púrpura que deixei se formar até ali
e me despeço lambuzando-me
em amor no meu sangue vinho,
fui atingido pela última vez e encontro enfim o meu fim.
Guilherme de Carmo 29/07/2007
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