Noite turva,
escoro-me neste silêncio total,
ao gozo dos sonhos eu me deliro,
sangrando como um inocente vampiro,
questionando a mim mesmo sobre o amor,
aonde e como está?
E os amores póstumos, aonde os-escondem? Na luz?
Então não posso ver...
Tudo sóbrio, meus lábios permanecem secos,
secos em uma noite molhada,
o silêncio agora me esconde por alguns minutos,
dando alas para a chuva passar e passa,
passa molhando meus lençois, molhando meu corpo
e daquele carro la fora os farois...
Essa noite não me é estranha,
a única diferença é que eu estou só,
somente eu e minha solidão.
Foi em uma noite como essa que vivi
meu primeiro e soturno amor
e na manhã seguinte acordei-me só, despido pelo chão.
Será que ainda poderei viver uma noite como essa?
De puro e despido intenso amor?
Escondo eu - Arquejado!
Ah, nem sei mais quantas noites dessas de amor eu vivi,
agora veja, estou eu aqui sozinho - morri!
Para o amor eu morri!
Perdi todo o direito de amar,
perdi todo o direito de ser amado...
Eu me sinto humilhado, por mim mesmo humilhado!
Ó, o que será que eu fiz? Cálida luz magenta, o que será que eu fiz?
Que descrença, que desilusão total...
Eu me perdi, não quis sentir quando eu pude sentir,
agora não posso e nem sei se quero poder, eu mesmo me perdi, sozinho nessa,
e impotente eu me sinto - Não posso tentar novamente...
Guilherme de Carmo - 21/09/2006
Ao som de Sam Cooke...
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